Subcomissão sugere projetos de lei para financiar mídia independente

A Subcomissão Especial da Câmara dos Deputados sobre Mídia Alternativa propôs nesta quarta-feira (30) uma série de projetos de lei com o objetivo de tornar economicamente viável a atuação dos órgãos de mídia independente no Brasil. Segundo a relatora da subcomissão, deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), a categoria abarca emissoras de rádio e TV comunitárias e educativas; produtoras brasileiras regionais independentes; veículos de comunicação de pequeno porte; além de alguns canais de programação de distribuição obrigatória transmitidos por meio da televisão por assinatura.

A subcomissão funciona no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática desde dezembro de 2011, para analisar formas de financiamento da mídia alternativa, com o objetivo de democratizar as comunicações brasileiras. A votação do relatório final da subcomissão pela comissão estava prevista para esta quarta, mas foi adiada, a pedido dos deputados Arolde de Oliveira (PSD-RJ) e Jorge Bittar (PT-RJ).

No relatório final, a deputada Luciana Santos constatou ““uma necessidade urgente de modernização do ambiente legal, bem como uma atuação de maneira mais intensa do Poder Executivo”, para viabilizar economicamente os órgãos de mídia independente.

Sugestões

Entre as ações propostas, está a criação de fundos específicos para financiar o setor, além de projeto obrigando o governo federal a destinar parte das verbas de publicidade oficial a esses veículos. Há ainda projetos para permitir publicidade em emissoras comunitárias e educativas.

Outra proposta permite a dedução no Imposto de Renda de parcelas de valores aplicados em projetos no apoio veículos de mídia independente. “É como se fosse a Lei Rouanet dos meios de comunicação”, explicou Luciana.

Falta de representatividade

Para a parlamentar, o atual sistema de mídia carece de representatividade, pois a pluralidade de opiniões do povo brasileiro não está refletida nos meios de comunicação. “Existem, no Brasil, poucas normas específicas para o controle à concentração de propriedade na mídia”, completou.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) Venício Artur de Lima apoia o relatório, pois, segundo ele, o Estado deve intervir sempre que a pluralidade não estiver refletida nos meios de comunicação. “As medidas propostas estão em sintonia com o que se faz nas maiores democracias do mundo”, observou.

Ele ressaltou, porém, que as medidas são insuficientes para democratizar as comunicações no Brasil e destacou a necessidade de o Poder Legislativo aprovar um novo marco legal para o setor e regulamentar os dispositivos constitucionais referentes às comunicações. A Constituição prevê, por exemplo, que os sistemas de comunicação público, privado e estatal devam ser complementares.

Fonte: Agência Câmara