Luiz Carlos Prestes substitui Filinto Müller em Ala do Senado

Aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o projeto que altera a denominação da Ala Filinto Müller do Senado para Ala Luiz Carlos Prestes. A matéria recebeu parecer favorável do relator, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Tanto Filinto Müller (1900-1973) quanto Luiz Carlos Prestes (1898-1990) foram senadores.

Filinto Müller colaborou com as duas ditaduras que governaram o Brasil no século 20 e ficou conhecido por agir com mão de ferro. Atuou como chefe de polícia na ditadura Vargas (1930-1945); e como líder político, na sustentação do regime dos generais (1964-1985).

Já Luiz Carlos Prestes é um dos maiores ícones comunistas da história do Brasil. Líder da Intentona Comunista – movimento para derrubada do governo Getúlio Vargas, capitaneada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1935 –, ele chegou ao Senado ao fim do Estado Novo (1937-1945) e comandou uma bancada de 14 deputados durante a Constituinte de 1946. Teve seu mandato cassado quando o PCB foi declarado ilegal.

Nascido em Cuiabá, em 1900, Müller personificou a repressão violenta aos movimentos de oposição a Getúlio, principalmente comunistas, mas também integralistas. Em 1932, exerceu papel de destaque no combate à Revolução Constitucionalista de São Paulo. Logo em seguida, assumiu a temida Polícia do Rio de Janeiro (então capital), cargo que ocupou até 1942.

Prestes nasceu em Porto Alegre (RS) em 1898, e, em 1924, já capitão, rebelou-se contra as oligarquias dominantes da Primeira República e, no comando dos rebeldes da Região Missioneira do Rio Grande do Sul, baseado em Santo Ângelo, deslocou-se para Foz do Iguaçu (PR). Juntando-se aos rebeldes paulistas comandados por Miguel Costa, constituiu o contingente rebelde denominado Coluna Miguel Costa-Prestes, em cujo comando ganhou o apelido de “Cavaleiro da Esperança”, tendo o contingente rebelde ficado historicamente conhecido como “Coluna Prestes”.

A atuação de Filinto Müller na perseguição aos opositores de Vargas gerou acusações de tortura e assassinatos. Ele é citado, por exemplo, no episódio de deportação da mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes, a judia alemã Olga Benário, que, mesmo grávida, foi entregue à Alemanha, onde seria morta no campo de concentração nazista de Bernburg.

Em 1934, Prestes incorporou-se à Aliança Nacional Libertadora, que objetivava a derrubada do governo Vargas. Derrotado pelas forças do governo, foi preso e torturado antes da deportação de Olga Benário para a Alemanha nazista. Ao fim da ditatura, Prestes chegou a manifestar apoio a Vargas, que voltou ao poder em 1950, pelo voto direto.

Em 1947, após a ditadura Vargas, Müller conquistou uma cadeira no Senado por Mato Grosso. Foi reeleito em 1955 e 1962. Com o golpe de 1964 e a cassação dos direitos de inúmeros políticos e a implantação do bipartidarismo, Filinto Müller filiou-se à Arena, partido que dava apoio político à ditadura militar. Pela legenda, reelegeu-se mais uma vez em 1970.

Müller foi um dos parlamentares mais importantes no apoio ao regime, ocupando a liderança da Arena e do governo no Senado. Em 1973, assumiu a Presidência do Senado. Morreu num acidente aéreo em Paris, em julho do mesmo ano.

Eleito senador com grande votação para a Assembleia Constituinte de 1946, quando o PCB obteve 10% dos votos, Prestes liderou uma bancada de 14 parlamentares. Mas teve seu mandato de senador cassado em 1948, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1950) que, no contexto da Guerra Fria, rompeu relações com a União Soviética e cassou o registro do Partido Comunista. Prestes só saiu da clandestinidade em 1979, ano da anistia. O líder comunista passou então a apoiar o PDT de Leonel Brizola (1922-2004). Prestes faleceu aos 92 anos no Rio de Janeiro.

De autoria da senadora Ana Rita (PT-ES), a proposta já passou pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

Fonte: Portal Vermelho com Agência Senado