Estudantes fazem dia de luta pela educação em quatro cidades nesta quinta

Estudantes secundaristas realizarão uma jornada de luta em defesa da educação pública em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Porto Alegre hoje (11), quando se comemora o Dia Nacional do Estudante. Eles vão às ruas a partir das 10h para defender o acesso à educação pública e se posicionar contra cortes e privatizações na área e contra a proposta chamada de Escola sem Partido (Projeto de Lei 867/2015), que proíbe os professores de contestarem posições religiosas ou morais dos alunos ou de suas famílias, impedindo debates sobre gênero, religião e política.

“A Escola da Mordaça nunca irá nos calar sobre o sucateamento, iremos lutar mais uma vez, contra esse projeto, contra a reorganização, que, mesmo com mais de 200 escolas ocupadas, vem sendo feita por debaixo dos panos, com os cortes que nos atingem de todos os lados”, disseram os organizadores do ato em São Paulo, marcado para as 14h, na Praça Roosevelt, região central.

Antes disso, às 8h, a União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) realiza manifestação no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. “A primavera secundarista foi vitoriosa e mostrou que nós, secundaristas, estamos dispostos a fazer muita luta para defender nossas escolas! Vivemos em um período, onde tivemos nossa democracia golpeada, e depois de ocuparmos e resistimos em todos os espaços, querem nos calar!”, disse a organização em sua página no Facebook.

No ano passado, os secundaristas de São Paulo chamaram a atenção do país após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar a “reorganização” escolar, que previa o fechamento de 94 escolas e a transferência pelo menos 311 mil estudantes para outras instituições de ensino. Como resposta ao projeto, que não foi debatido com a comunidade escolar, os alunos ocuparam escolas da rede estadual. No auge do movimento, os estudantes chegaram a ocupar 213 unidades.

Após 25 dias de mobilização, o governador suspendeu o projeto de reorganização escolar. Em seguida, o então secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, pediu demissão. Na ocasião, Alckmin limitou-se a afirmar que os alunos continuariam nas escolas em que já estudam e que o governo começaria a aprofundar o debate sobre o projeto.

“Governo sai, governo vem, e o sistema educacional público do país continua sendo o mesmo, o mesmo extremamente sucateado. São prédios precários, merrecas de salários para os professores e para os funcionários que trabalham na instituição. E o diálogo do governo usado para resolver qualquer tipo de problema é sempre o mesmo. Polícia, prisão e criminalização”, disseram os organizadores do ato de Goiânia, por Facebook. Na cidade, a manifestação está marcada para as 15h, na Praça do Trabalhador, setor central.

Os secundaristas goianos iniciaram um movimento de ocupação de escolas no ano passado, após o governador Marconi Perillo (PSDB) publicar um despacho (596) no qual anunciava que transferiria a gestão de escolas estaduais para organizações sociais. Em dezembro, 28 escolas chegaram a ser ocupadas em Goiás.

Os estudantes deixaram as unidades em fevereiro, após decisão judicial e uma série de tentativas de reintegração de posse. Em julho, o governo estadual cancelou o edital, justificando que ele deveria ser adequado à nova legislação de contratação de organizações sociais do estado. Não há data para que o processo seja retomado.

Em Porto Alegre, o ato começa às 10h, em frente ao Colégio Julio de Castilhos, no bairro Santana. Em junho, 160 escolas da capital gaúcha chegaram a ser ocupadas por melhorias estruturais nos prédios, instalação de ventiladores, merenda de qualidade e o arquivamento de um projeto de lei estadual que permite a atuação de organizações sociais (OS) na educação.

“O governo de Temer aplicou cortes de verba na pasta da educação que só vem intensificando o descaso com a educação! Somos contra os cortes do programa Ciência Sem Fronteiras, da redução das vagas de ProUni e Fies, contra os cortes das bolsas auxílios do IFRS POA (Instituto Federal de Porto Alegre), contra a falta de creches universitárias e auxílio creche para as estudantes mães”, disseram os estudantes gaúchos pelo Facebook.  “Estudante na escola tem direito de pensar, escola sem partido é ditadura militar.”

No Rio, o ato começará na Praça Mauá, região central, às 17h. “Por uma educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada. Contra os projetos do governo Temer, que atacam a educação pública e retiram direitos”. No estado, 68 escolas foram ocupadas entre abril e junho por melhorias de infraestrutura nos prédios e mudanças no sistema de ensino.

Agenda

São Paulo 
Às 8h, estudantes se reúnem no vão livre do Masp, na Avenida Paulista
Às 14h, na Praça Roosevelt, centro

Goiânia 
15h, na Praça do Trabalhador, setor central

Porto Alegre 
10h, em frente à Escola Julio de Castilhos (Rua Luiz Afonso, s/n), Cidade Baixa

Rio de Janeiro 
17h, na Praça Mauá, centro

Da Rede Brasil Atual