“Estado mínimo não cabe no Brasil”, diz Rudá Ricci na abertura do I Congresso do ATENS SN

Com a assertiva que o Estado mínimo preterido com as reformas propostas pelo governo de Michel Temer (PMDB) não cabe no Brasil, o sociólogo Rudá Ricci proferiu a palestra de abertura do I Congresso do ATENS Sindicato Nacional.

Delegados e observadores, representando Seções Sindicais e Coordenações de todas as regiões do país, lotaram o auditório do Dayrell Hotel & Centro de Convenções, em Belo Horizonte/MG, para discutir as implicações das reformas do Estado no mundo do sindicalismo.

Com a abordagem do tema “Reforma do Estado e o mundo do Trabalho”, Rudá Ricci fez críticas à Proposta de Emenda Constitucional 55, aprovada na última terça-feira, 13, e à ideia de produtividade no serviço público.

Na opinião de Ricci, esse é um pensamento insustentável. “O país precisa de um Estado forte, transparente e controlado pela sociedade. Não tenho dúvida de que na campanha eleitoral de 2018 iremos discutir a reconstrução do Estado brasileiro”, afirmou.

O sociólogo fez um breve levantamento sobre a situação do sindicalismo brasileiro e citou os problemas enfrentados por grande parte dos movimentos sociais e sindicais. Entre eles, a partidarização. “No Brasil cada central está nitidamente vinculada a um partido. Na Europa, a vitória dos socialistas em Portugal e da social-democracia alemã está intimamente vinculada à retomada da organização sindical em seus países”, pontuou.

Outro aspecto abordado por Ricci diz respeito ao fortalecimento do que chamou de “neo-corporativismo”. “O governo federal torna-se o principal interlocutor das centrais, tal como ocorria com as confederações no período pré-golpe militar”, lembrou.

Ricci falou ainda sobre o Cupulismo e a dependência governamental. Para ele, as centrais sindicais assumem negociações em detrimento dos sindicatos, como estava previsto na reforma sindical.

Como consequências desses fatores, Rudá disse que há o abandono da organização no local de trabalho, aumentando o divórcio entre a linguagem dos dirigentes e o da base sindical.

O sociólogo encerrou sua exposição solicitando aos presentes a reflexão da afirmativa de que a força do Sindicato está na unidade do serviço público a ser discutida durante os três dias de Encontro, que segue até 17 de dezembro.

Rudá Ricci é graduado em Ciências Sociais pela PUC-SP. É mestre em Ciência Política e o doutor em Ciências Sociais pela Unicamp. Diretor Geral do Instituto Cultiva e membro do Fórum Brasil do Orçamento, integra também o Observatório Internacional da Democracia Participativa. É autor de Lulismo (Rio de Janeiro: Contraponto, 2010), dentre outros