A reforma foi aprovada. Mas a luta não acabou

Por fim, o Senado aprovou, no início da noite de ontem (11), a reforma trabalhista. O mais cruel golpe sofrido pelos trabalhadores brasileiros desde que se consolidou a legislação trabalhista no país. Uma reforma que retira dos trabalhadores direitos conquistados a duras penas, feita a toque de caixa para agradar o mercado e os grandes grupos econômicos e cujo efeito imediato será o de ampliar a recessão.

Com a reforma, os acordos entre patrões e empregados passam a ter mais força que a lei. Ou seja, as empresas poderão impor uma série de abusos para contratar seus funcionários que, obrigados a sustentar suas famílias, terão que aceitar passivamente. A reforma também busca enfraquecer os sindicatos, principal sustentáculo dos trabalhadores contra os desmandos dos patrões, e criou o trabalho intermitente, ou seja, não há nenhuma garantia de jornada mínima, o empregado fica à mercê da vontade dos empresários.

Na verdade, com essa gama de desmandos, a reforma trabalhista de Michel Temer e seus comparsas tem um único objetivo, a perpetuação de privilégios. O cenário que se descortina exibe uma nova forma de escravidão, porém apresentada, com a cumplicidade da mídia, como uma modernização necessária da legislação. O que veremos, de fato, é o aumento progressivo da desigualdade social e do esfacelamento da justiça, na acepção mais pura do termo.

O momento é de lamentação profunda, sim, mas também de luta. Temos que permanecer unidos em torno de uma pauta comum, que é a defesa de nossos direitos. Temos que seguir ocupando ruas, praças e avenidas, talvez até de uma maneira mais enérgica e veemente. Somente o clamor popular poderá extirpar esse mal que se instalou no Brasil e insiste em transformar o país em uma República sem povo, voltada apenas para os interesses de uma elite retrógrada, egoísta e pouco esclarecida.

O ATENS seguirá em sua missão cidadã e se colocará ao lado do povo brasileiro. Marcharemos juntos nessa batalha que não acabou, só está começando. Já tentaram nos calar em outros tempos e fracassaram. Não será agora que conseguirão. Iremos buscar forças dentro de nós mesmos, de nossas consciências, de nosso desejo infinito por um Brasil mais justo e solidário para enfrentar mais esse golpe. Unidos, vamos mostrar nosso valor. Unidos, vamos provar que somos mais fortes.

Rosário de Oliveira

Presidente do ATENS Sindicato Nacional