Saudações no III Congresso Nacional do ATENS

Texto da Diretora-Presidente do ATENS Sindicato Nacional, Rosário Oliveira, para a cerimônia de abertura do III Congresso Nacional do ATENS.
Estar em movimento é natural. O privilégio de olhar para frente sempre nos ajudou a reunir as melhores energias e fortalecer os passos de cada dia. E alguma derrota neste caminhar não é sinônimo de fracasso. Na verdade, o que conta é não renunciar à esperança e acreditar em nossa força social e política.
E é sustentado nisto, que o movimento TNS, se organizou a partir do I Fórum, em 3 de junho de 2005, na cidade de Ouro Preto, em que estiveram presentes 28 instituições de 19 Estados da Federação, as quais tiveram direito a voz e voto em todas as deliberações, inclusive a Fasubra. E foi assim em todas as edições posteriores.
Nossa categoria descobriu a força política da união e levantou-se em um processo de insurgência contra o achatamento salarial imposto pela FASUBRA e pelo governo, com seu arremedo de Plano de Carreira, um mero tabelão, o PCCTAE.
Foi, em virtude do Movimento TNS, que conseguimos a quebra da linearidade da tabela em 2008, criamos nossa Associação Nacional em 2009, fundamos nosso Sindicato, em 2012, em um processo integralmente legítimo e democrático. Em 2016 obtivemos nosso registro sindical, que de forma estranha foi cassado em 2018, e agora em 2020 conseguimos o reconhecimento dos TNS como categoria na Justiça do Trabalho, o que fortaleceu nossa luta incessante para reavermos nosso registro. E, tudo isto, nem vislumbrávamos quando iniciamos nossa caminhada.
É muito importante lembrarmos sempre que todo movimento precisa de um tempo para amadurecer e se consolidar e, portanto, nessa perspectiva precisamos entender que as grandes batalhas que já travamos, se nos deixaram algumas cicatrizes, nos tornaram mais fortes e resistentes para essa nova etapa de mais possibilidades, e muitos mais desafios.
E para enfrentá-los não podemos perder a lucidez. Precisamos compreender que vivemos um momento de aprofundamento da barbárie como método de desconstrução da democracia, e esta conjuntura teremos a oportunidade de debater em nossas plenárias.
Cada um de nós tem uma visão e um posicionamento sobre a crise política e sanitária pela qual estamos passando e precisamos entender a riqueza dessa multiplicidade. Temos de acreditar que esta é uma oportunidade ímpar de aprendizado para todos.
É papel de todo Sindicato chamar a atenção para a importância da política e da democracia, sob pena de deixar às novas gerações de trabalhadores um vácuo de difícil reconstrução. É preciso reconhecer o papel do Estado na manutenção do convívio pacífico, na produção da justiça e na construção de condições de bem-estar social. Não podemos contribuir para jogar o Estado na vala comum da corrupção.
Nossa luta precisa ser uma luta contra o Estado Mínimo, contra a destruição cada vez maior dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, contra o desmantelo do Serviço Público, da Educação Pública de qualidade e do SUS, além do aniquilamento dos servidores públicos.
O Congresso é a instância máxima de deliberação de nosso Sindicato, um momento de formação política, e onde os delegados cumprirão o papel de representar toda a categoria, debatendo ideias, apontando propostas de resoluções e votando, num verdadeiro exercício de participação e democracia.
Temos um papel fundamental, como o tinham os que nos antecederam. Cada um de nós, quando sair deste Congresso, deve ser um centro de transmissão das ideias que aqui foram expostas e dos trabalhos a se fazer.
A responsabilidade deste Congresso, no seu conjunto, é se empenhar na tarefa de nos unir em um cotidiano de solidariedade, trabalho coletivo, compromisso social e o nosso envolvimento em torno de uma unidade entre os trabalhadores e os diversos movimentos sociais.
Apesar da dureza desta luta cotidiana que travamos em defesa de nossos direitos, da nossa carreira, e da autonomia das universidades federais, não podemos encarar este momento com angústia, não podemos desanimar.
Manter a esperança é a única forma de mudarmos o que achamos necessário mudar. E a única maneira de ver a mudança em qualquer coisa neste mundo é nos tornarmos, efetivamente, a mudança, dia após dia. É um trabalho difícil e pesado, mas é necessário.
Vamos aproveitar a oportunidade que a história nos apresenta: sejamos lúcidos! Busquemos informações e reflexões, tenhamos consciência de que a democracia se faz com responsabilidade e respeito.
Um novo mundo se constrói assim: a partir do agora, imersos em nossa memória e vislumbrando o futuro que queremos deixar para os que virão. Somos educadores e educar tem a ver com esse gesto político de construção e de convívio. Somos todos convidados a esta generosa tarefa: sermos políticos convivendo e aprendendo com as diferenças.
Com movimento e resistência, um novo mundo é possível! Acreditemos na nossa força política! O ATENS somos nós!
Declaro aberto o III Congresso do ATENS Sindicato Nacional.