Redução salarial dos servidores é ataque à classe trabalhadora

O ATENS Sindicato Nacional vem a público denunciar que ontem, 02 de abril, durante a primeira votação da PEC 10/2020, denominada PEC do “Orçamento de Guerra”, foram apresentadas pelo Partido Novo as Emendas 4 e 5 que impõem a REDUÇÃO SALARIAL no serviço público.

Devemos lembrar aos parlamentares que os servidores públicos seguem trabalhando durante a pandemia e que, grande parte de nós, atuam na linha de frente nesta guerra. O Partido Novo presta um desserviço a toda população quando, ao invés de propor medidas que taxe os lucros e dividendos das grandes empresas, coloca nas costas da classe trabalhadora a responsabilidade financeira e orçamentária do Estado em lidar com o cenário de pandemia da Covid-19.

A PEC 10/2020 será novamente colocada em pauta hoje no Congresso Nacional e, apesar do relator ter rejeitado todas as emendas e alguns líderes terem confirmado que nenhuma emenda será posta em votação, não podemos nos calar e confiar cegamente neste governo. É hora de fazer pressão!

Vamos cobrar a cada deputada e deputado federal a não aprovação das Emendas 4 e 5 e seguir atentos ao processo de aprovação da PEC 10/2020. Não aceitaremos, de maneira nenhuma, esse ataque sem precedentes à classe trabalhadora.

Baixe aqui a planilha com o endereço de e-mails dos deputados e encaminhe a seguinte a mensagem:

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NÃO ao confisco dos salários dos servidores públicos!

Senhores deputados,

Como servidor Técnico de Nível Superior das Instituições Federais de Ensino Superior, manifesto minha indignação com a proposta de confisco de até metade dos salários dos trabalhadores do serviço público, materializada nas Emendas Aditivas 4 e 5, apresentadas pelo partido Novo à PEC 10/2020.

Não custa lembrar aos senhores, já que a bancada do Novo parece ter se esquecido, que servidores públicos também são trabalhadores. E que, com seus salários, assim como todos os trabalhadores brasileiros, consomem produtos e serviços, geram empregos, enfim, movimentam a economia.  

O próprio Ministro Paulo Guedes, em live transmitida há alguns dias, manifestou-se pelo descabimento de tal medida, que retiraria poder de compra de parcela significativa das famílias brasileiras, com a consequente redução do consumo e aumento do desemprego, em especial de trabalhadores e prestadores de serviços domésticos.

Pergunto à nobre bancada do Novo: como um “privilegiado” que ganha R$ 6.101,08 pagará suas contas com um confisco de 26% do seu salário? Qual o conceito de privilégio para a bancada do Novo?

Outra questão que coloco: o que há de “novo” em:

– culpar os servidores públicos pelas mazelas do país e colocá-los na linha de tiro de medidas demagógicas e preconceituosas? Para o Novo, parece que só há meritocracia na iniciativa privada. Um magistrado que estuda por anos, passa em uma seleção rigorosa e tem responsabilidade sobre as vidas e o patrimônio dos cidadãos não merece ganhar bem? Um auditor fiscal, que combate a sonegação, zelando por um ambiente concorrencial justo, e gera milhares de vezes a sua remuneração em impostos, também não merece um salário proporcional à sua responsabilidade e relevância para a sociedade?

– recorrer à malandragens legislativas, como o parágrafo único do artigo 117, para “ficar bem na foto” e excluir do confisco os servidores supostamente envolvidos com o combate à pandemia? Por acaso, a bancada do Novo não entendeu ainda que todo o serviço público deste país, de alguma forma, está “diretamente envolvido”? Auditores buscando recursos, juízes tomando decisões importantes sobre quarentena, atendimento médico e tantas outras questões, promotores zelando pelos direitos dos cidadãos. Com seus salários confiscados, terão que focar na própria sobrevivência.

– fazer de conta que não sabe que as maiores economias do planeta (lembrem-se que somos a nona) estão agindo no sentido oposto, de manter a renda dos trabalhadores para que o consumo e o emprego não se retraiam ainda mais? A União Europeia suspendeu os rígidos limites de gastos dos países-membros. A Alemanha, segundo notícia da Deutsche Welle, lançou um pacote de ajuda em 23/03 que soma 750 bilhões de euros. “Encerrar a crise vem em primeiro lugar. Ao final de tudo isso, veremos em que situação estará nosso orçamento”, disse a chanceler federal Angela Merkel.

– não trazer para a mesa propostas que atinjam o verdadeiro “andar de cima” da sociedade brasileira, como estas:

1 – Instituição, por lei complementar, do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), previsto no artigo 153, inciso VII da Constituição Federal de 1988 e jamais criado. Os brasileiros “super-ricos” somam aproximadamente 71 mil pessoas (0,05% da população adulta), dos quais cerca de 50 mil recebem dividendos e não pagam qualquer imposto sobre esses rendimentos;

2 – Revogação imediata da isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sobre lucros ou dividendos distribuídos ou remetidos ao exterior.  Essa isenção é uma aberração no cenário internacional: dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas a Estônia possui um regime de isenção total de lucros e dividendos como o Brasil. Projeto de lei nesse sentido (PL 3061/2019), de autoria do Senador Flávio Arns, está parado no Senado;

3 – Criação de uma alíquota adicional e temporária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para as instituições financeiras, como a que vigorou de 2016 até o início de 2019. O lucro líquido dos 4 maiores bancos do Brasil com ações em Bolsa cresceu 18% em 2019, na comparação com 2018. Os lucros acumulados somaram R$ 81,5 bilhões. Segundo levantamento da Economatica, foi o maior lucro consolidado nominal (sem considerar a inflação) já registrado pelos grandes bancos.

Segundo a ONU, o Brasil é um “paraíso tributário para super-ricos”:

https://nacoesunidas.org/brasil-e-paraiso-tributario-para-super-ricos-diz-estudo-de-centro-da-onu/

Ser “novo” de verdade passa por corrigir essas injustiças agora e para sempre, e não pelo confisco do salário dos que mantêm o serviço público brasileiro funcionando neste momento em que nunca precisamos tanto da ação do Estado – que, em um país tão desigual e carente, não pode ser “mínimo”.

Senhores deputados de todos os partidos, não ao confisco do salário dos trabalhadores do setor público! Os brasileiros clamam por justiça fiscal!

Respeitosamente,