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Novo presidente da Capes defende criacionismo em ‘contraponto à teoria da evolução’

Na última sexta-feira, 24 de janeiro, o governo nomeou para presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação (MEC), o professor Benedito Guimarães Aguiar Neto.
Como não poderia ser diferente, o perfil do novo presidente da Capes vai ao encontro do perfil “polêmico” da maioria dos que compõem o atual governo. Evangélico, defensor da abordagem educacional do criacionismo em contraponto à teoria da evolução, reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, desde 2011, onde, desde 2017, existe em núcleo de estudos sobre design inteligente, roupagem moderna do criacionismo.

Existe um entendimento de que o criacionismo ou design inteligente não são ciência, tanto que, desde 2014, o Reino Unido proibiu seu ensino como teoria científica em escolas e universidades públicas.
Esta nomeação indica, claramente, uma maior aproximação do governo com os setores evangélico e empresarial da educação superior. E, portanto, não podemos deixar de acentuar que a irmã do ministro da economia, Paulo Guedes, Elizabeth Guedes, é a presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP) e o novo presidente da Capes, Aguiar Neto, já presidiu a Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (ABIEE).

Aguiar Neto fez uma defesa pública do programa “Future-se”, em especial ao “item relativo à criação de ecossistemas de inovação e empreendedorismo”. Segundo ele, em artigo publicado na Folha de São Paulo, “as universidades brasileiras estão sedentas por serem reconhecidas de modo amplo como produtoras de conhecimento e por sua capacidade de contribuir para a geração da inovação e, consequentemente, ascensão socioeconômica”.

Em abril de 2019, quando da crise causada pelo contingenciamento das verbas da educação, Bolsonaro já teria iniciado um “namoro”, ao citar a Mackenzie como exemplo de universidade que faz pesquisa no Brasil, em detrimento dos dados da própria Capes que apontam que mais de 95% das publicações referem-se às universidades públicas, federais e estaduais.

Em maio de 2019, Aguiar Neto ficou conhecido ao impedir a realização, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, de um debate sobre a Reforma da Previdência, organizado pelos alunos, porque, em sua concepção, tratava-se de um evento partidarizado, em virtude da participação de Guilherme Boulos (PSOL), coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O debate acabou acontecendo em um bar próximo à Mackenzie, com a participação de mais de 500 pessoas.

Como se percebe, o slogan “Deus acima de todos”, o combate ao “viés ideológico” e a sedução da privatização do ensino público estarão representados na Capes.

Com os erros do Enem e do Sisu, o atropelamento do Programa Nacional do Livro Didático, o atraso na aprovação do Fundeb, esta escolha de um defensor do criacionismo para dirigir a Capes, uma das principais entidades de fomento à ciência, e as demais atitudes bizarras e irresponsáveis do atual ministro podem levar a educação ao colapso.

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