A tragédia anunciada do Museu Nacional – NOTA OFICIAL

O incêndio do Museu Nacional era uma tragédia anunciada. Nossos governantes nunca se preocuparam em apresentar e assumir políticas públicas voltadas para a preservação do patrimônio histórico, cultural e da memória do nosso país. Infelizmente, aqui, investimento em cultura é gasto público, preservar a história é futilidade.

Acervos históricos e científicos coletados na época do império foram destruídos, 200 anos de história queimados! Para quem não sabe o Museu Nacional detinha a maior coleção egípcia da América Latina, com múmias intactas dentro de seus sarcófagos, o acervo africano, americano pré-colombiano, grego, mediterrâneo e do Brasil pré-histórico, além do fóssil da mais antiga brasileira já encontrada: Luzia. Além de obras raríssimas como os livros da expedição de Napoleão ao Egito e os diários das viagens realizadas por D. Pedro II.

O Museu Nacional é a mais antiga instituição científica do país e desenvolve atividades de pesquisa nas áreas de Antropologia, Botânica, Entomologia, Geologia e Paleontologia, Vertebrados e Invertebrados. Reconhecido, internacionalmente, como núcleo de excelência em pesquisa, o acervo do Museu Nacional contribuía para os estudos de diferentes especialidades. O trabalho científico desenvolvido por cerca de 90 pesquisadores ligados à Instituição também foi destruído, anos de dedicação consumidos pelas chamas.

Obviamente, novas tragédias acontecerão e outras se aprofundarão, em virtude da aprovação irresponsável da EC 95. Nosso país está submetido ao “pacto da austeridade”, ou seja, a uma política de longos 20 anos, alicerçada na redução dos gastos públicos e do papel do Estado em suas funções de indutor do crescimento econômico e promotor do bem-estar social, mercantilizando, assim, os direitos sociais.

A Administração Pública falhou com o Museu Nacional e é preciso tirar uma lição diante de tamanho descaso. É preciso saber transformar a dor em indignação, exigir o compromisso de nossos governantes com políticas públicas que priorizem o investimento em educação, pesquisa, cultura, saúde, infraestrutura e segurança. Ou mudamos este curso ou estaremos condenados à barbárie.

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